Exteriores Palácio Anadia Mangualde

Exteriores

Neste monumento são evidentes as principais características barrocas da casa nobre setecentista portuguesa. A fachada principal do edifício voltada a poente estende-se na horizontal, articulando a frontaria com pilastras pouco salientes, enquadrando 16 elegantes janelas, com especial ênfase às do andar nobre, mais ornamentadas de cornijas arqueadas e rematadas na parte central com motivos de conchas, prenunciando o rococó. Toda a simetria da frontaria converge para o eixo central marcado por sóbrio portal encimado por uma pedra d’armas, ladeado por pilastras que por sua vez sustentam uma imponente varanda de sacada. Há que realçar ainda, na extremo norte desta fachada, surgir um corpo distinto adossado aos cunhais do edifício principal, trata-se da capela da casa[1], com elegante portal encimado por janela para iluminação interior, sobrepujada de entablamento de sóbria cantaria.

Na fachada virada a sul, enquadrado por um pátio formado por um muro com o portão de entrada e por um corpo de casario baixo com diversas dependências da quinta (lojas, adega, lagar, etc.), podemos admirar um corpo rasgado por duas grandes varandas sobrepostas, flanqueado por dois corpos laterais que avançam timidamente, finalizados na parte inferior e superior por duas janelas de requintado trabalho de cantaria (da mesma concepção das do seguimento do plano horizontal das janelas da fachada principal). No eixo central uma harmoniosa escada de dois lanços de curvas em ferradura conduz ao patamar de acesso à casa, coberto de abóbadas de aresta e forrado com painéis de azulejos, entre os quais se abrem duas portas de boa cantaria. Superiormente a este patamar, ergue-se um grande balcão formado por quatro grandes arcos abatidos unidos por corrimão de balaustrada, em contraposição com quatro belas portas do corpo central (acessos da sala de baile) e de duas dos corpos laterais, finalizando com um tecto de madeira pintada com motivos barrocos.

A fachada norte, aproveitando o declive do terreno, desenvolve-se tanto em comprimento como em altura, assumindo proporções e grandiosidade palacianas, sem descurar a mestria técnica de um primoroso risco arquitectónico, espelhado nas nove janelas do andar nobre de requintada cantaria rematadas por cornija arqueada, enquadradas sobre um eixo central de três arcos abatidos, ladeados de fiada de janelas de singela cantaria. Do lado poente, um sóbrio alpendre construído no aproveitamento do tecto da capela, oferece uma bonita vista sobre o jardim.

Por fim a fachada a nascente, evidencia uma intricada sobreposição de avançamentos finalizados em cadeia, solucionando com singular harmonia alguns problemas conceptuais dos espaços arquitectónicos projectados, por forma, provavelmente, a integrar parte remanescente da antiga casa seiscentista. Esta peculiaridade das fachadas da casa serem todas diferentes, mas de grande qualidade artística e técnica, faz com que seja mais um elemento diferenciador que enriquece esta casa.


[1]Nesta capela podemos admirar um belo retábulo seiscentista (Júlio Gil, Os Mais Belos Palácios de Portugal, Editorial Verbo / Edimpresa Editora Lda., Lisboa, 2005, p. 73).

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